segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O contraditório dos Megaeventos: Copa e Olimpíadas no Brasil

Existe uma grande euforia na sociedade brasileira quando o assunto é copa e olimpíadas. A classe política, por exemplo,  tem dito que os megaeventos transformarão a realidade do povo brasileiro. É comum nos seus discursos afirmarem  a realização dos megaeventos revolucionará a vida dos brasileiros e deixará um legado de empregos, renda e mobilidade. O prefeito do Rio de Janeiro, por exemplo, discursa que o objetivo da prefeitura é transformar o Rio de Janeiro, tomando como referência as olimpíadas de Barcelona.
Promover o desenvolvimento de nosso país e do Rio de Janeiro através da realização desses megaeventos só seria possível se as medidas em andamento fossem diferentes. Uma delas seria investir mais em infraestrutura do que em instalações. É verdade que muitas obras estão em execução. Entretanto, o orçamentário previsto aponta a maior parte dos recursos serão aplicados na construção de instalações esportivas e vilas.


Para diversos especialistas, não há dúvidas que o estouro do orçamento das Olimpíadas de Atenas em 2004 e o abandono das instalações após as olimpíadas contribuiram para o aumento da dívida grega nos últimos. Hoje (2012) a Grécia está no centro do turbilhão da crise internacional, uma vez que não consegue honrar seus compromissos. Mesmo aumentando impostos, reduzindo despesas e direitos sociais a situação grega continua muito difícil.


EDUCAÇÃO, SAÚDE E SEGURANÇA PÚBLICA Os profissionais que trabalham nessas áreas continuam insatisfeitos com seus salários e as condições de trabalho. Os serviços oferecidos continuam precários e quem precisa de algum atendimento e pode pagar continuará recorrendo à iniciativa privada. MEIO AMBIENTE Desenvolvimento Sustentável é um desenvolvimento que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades. Estão falando que a Olímpíadas será sustentável. A preservação ao meio-ambiente está longe do ideal. Falta pouco para o Congresso aprovar um Código Florestal retrógrado; sistema de esgoto tratado ainda é luxo; a poluição do ar está aumentando com o crescente número de veículos circulando nas ruas... SERÁ QUE O AUMENTO DO FLUXO DE TURISTAS ESTRANGEIROS SERÀ SUSTENTÁVEL? Uma cidade que possui como ponto turístico  a Rocinha e o Complexo do Alemão nunca será sonho de consumo dos turistas europeus e americanos. Com câmbio valorizado, violência elevada, falta de infraestrutura (transporte, hotéis, informações etc), produtos e serviços de modo geral mais caros aqui do que lá fora, degradação ambiental, inúmeras favelas e trânsito caótico fica difícil pensar que sim. Que Deus olhe para nós com misericórdia! IMPACTOS ECONÔMICOS Existem estudos que apontam que a economia carioca cresceria mesmo se não houve Jogos. Um professor que era da UFRRJ e que hoje está no IPPUR/UFRRJ pesquisou esse assunto e chegou a essa conclusão. Segundo ele, a conjuntura favorável que colocou o Brasil em rota de crescimento fez a economia de diversos estados crescer, inclusive a do Rio de Janeiro. Foi assim no Pan de 2007 e acho que se repetirá. TRANSPORTES Os projetos na área de transportes para copa e olimpíadas não resolverão o grave problema de transporte e trânsito da nossa cidade.  A construção de BRTs, uma nova linha de metrô e compra de novos trens da Supervia não fará com que a população deixe de andar de carro. Para isso, seria preciso investir pesado em eficiência, isto é, em pontualidade, conforto, preço justo, interligação das diversas áreas da cidade. Infelizmente, os projetos em andamento não possuem essas características. Por exemplo, o BRT é uma tecnologia ultrapassada que no longo prazo não  atenderá a demanda reprimida da cidade do Rio de Janeiro; e mesmo com a promessa de novos trens, os passageiros continuarão sofrendo com o atraso dos trens, superlotação de estações, filas dos guichês, falta de banheiros e estações precárias; e no caso do metrô, não há expectativa de diminuição da superlotação dos trens. O CASO EMBLEMÁTICO DO MARACANÃ Você se lembra que o Maracanã foi todo reformado para o Pan Americano de 2007? Pois é,  o governo do Estado está fazendo outra reforma. Baseado no argumento que foi uma exigência da Fifa, o BNDES está financiando uma nova reforma do Maracanã. Fui ao Maracanã em 2008 e afirmo sem medo de errar que o estádio estava muito bonito. Para piorar ainda mais a situação, o governo do Estado pretende privatizar o Maracanã após as Olimpíadas. Não sou contra privatização, mas o que está acontecendo é socialização dos custos e privatização dos lucros. A mídia noticiou recentemente que Eike Batista está na briga  pela concessão do estádio.

A minha opinião é que o famoso legado não será do tamanho que andam dizendo e a conta para construir isso tudo será muito alta.

Um comentário:

  1. Muito bem explorado o tema, e você está certíssimo, o custo de tudo vem do sistema público, como desculpa de um bem comum para todos, mas a realidade é que tudo vai continuar sendo como é enquanto muitas pessoas estiverem lucrando com a nossa pobreza de espírito.

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