Em entrevista ao jornal O Globo publicada hoje, dia 09/01/2012, o economista keynesiano americano Jan Kregel, da Universidade do Missouri, disse que os impactos da crise européia e da desaceleração chinesa seriam menores se o Brasil utilizasse intrumentos eficientes de controle de capitais. Inclusive, essa é a opinião de muitos economistas brasileiros. Segundo Kregel, o resultado dessa medida seria um real menos valorizado. Disse também que o BNDES é fundamental no financiamento de longo prazo da indústria nacional, afirmando que "se o BNDES não existisse, o Brasil praticamente não teria nenhum financiamento de longo prazo para desenvolver sua indústria" . Essa é a opinião de muitos economistas brasileiros.
Na entrevista o americano polemizou, ao afirma que o capital financeiro é um fator desestabilizador do Brasil e América Latina, que nos últimos anos não contribui para o desenvolvimento da região. Na opinião do economista, "o capital especulativo só trouxe riqueza para gente do próprio mercado financeiro".
Kregel participará do Programa Avançado de Reavaliação de Macroeconomia e Desenvolvimento da América Latina (Laporde, na sigla em inglês), que acontecerá em São Paulo amanhã. Organizado pela Fundação Getúlio Vargas em parceria com a Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo e Ordem dos Economistas do Brasil, o evento promoverá debates sobre os novos rumos do desenvolvimento da América Latina.
Durante a entevista Kregel disse que o Brasil sofrerá com o arrefecimentoda da produção chinesa. O chamado "efeito China" perderá força e provocará uma queda da demanda por commodities, resultando em menores preços desses produtos; a tendência é de deterioração da conta corrente do Balanço de Pagamentos, problema crônico do Brasil, já que a indústria brasileira também vem sofrendo com um câmbio valorizado.
Kregel argumenta que os ganhos da abertura financeira da América Latina ficam com quem trabalha no mercado financeiro e as perdas na economia real. Para comprovar o que diz, cita o exemplo da Sadia e da Aracruz, empresas que perderam muito dinheiro com erros de estratégia no mercado derivativo. E defende que os países da América Latina precisam controlar o capital financeiro para administrarem suas taxas de câmbio e, consequentemente, minimizar os efeitos da crise; o Brasil precisa fortalecer mais o mercado interno.
Embora o mercado de capitais tenha a função de desenvolver a indústria, na América Latina o capital está à procura de ganhos de curto prazo, ou seja, é especulativo. Esse capital não tem nenhum interesse no desenvolvimento de longo prazo da indústria local. A especulação de juros e câmbio provoca novas entradas de divisas, valorizando ainda mais nossa taxa de câmbio. Por isso, o BNDES é tão importante.
Nos períodos de crise esses capitais fogem da nossa economia em direção aos países ricos à procura de segurança e para cobrir perdas da matrizes das multinacionais. Ele argumenta que a experiência da década perdida dos anos 1980, as crises mexicana, asiática, e russa, a crise cambial brasileira na década de 1990 e o colapso da Argentina em 2001 mostram isso.
Finaliza, afirmando que a nova administração do Banco Central do Brasil sob a batuta de Alexandre Tombini está mais disposta a reduzir a taxa de juros da economia, que penaliza a indústria nacional, pois incentiva a entrada de capitais, valorizando nosso câmbio.
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